Seu link, é um link?
Jorge Marmion

Há algum tempo recebemos uma solicitação de divulgação das atividades de uma ONG. Atendemos o pedido, e o primeiro parágrafo da notícia publicada em nosso portal dizia:

"Já estão abertas as inscrições para o próximo Curso de Seleção para Voluntários do Centro de Apoio à Vida, que será realizado no mês de Junho de 2003."

Dois dias depois recebemos um e-mail da entidade, agradecendo a divulgação mas alertando-nos que "Faltou divulgar nosso site: www.centrodeapoioavida.kit.net". Confesso que não entendi muito bem a colocação, já que tinha certeza que o site tinha sido divulgado, mas mesmo assim respondi que ao clicar em Centro de Apoio à Vida o site da entidade abriria em uma nova janela. A resposta não demorou em chegar: " Obrigada por sua msg e dica. Sou mesmo uma internauta de 1a. viagem... "

Falha nossa! Quantos "internauta de 1a. viagem" devem ter deixado de visitar a página da entidade devido ao mesmo desconhecimento da remetente? Como evitar este problema?

Nosso erro, ao divulgar a notícia, foi desconsiderar a diversidade da platéia. O que para nós, e talvez para muitos, era óbvio, para outros era incompreensível.

Conheça seus usuários !

Um dos elementos fundamentais que o projetista deve considerar quando desenvolve o diálogo entre o sistema e o usuário é a composição da platéia. Há homogeneidade no grupo de usuários? Qual o nível de habilidade  no acesso à Internet? E no uso do computador?

Exemplos:

Site com informações exclusivas para médicos: Grupo homogêneo, com diferentes níveis de uso do computador e acesso a internet.

Intranet com ajuda e dicas técnicas para Analistas de Sistemas que desenvolvem na plataforma Oracle: Grupo homogêneo, com conhecimento profundo do uso do computador e acesso a internet.

Site de Instituição Bancária: Grupo heterogêneo, com diferentes níveis de uso do computador e acesso a internet.

Todo o projeto da interface -incluindo as palavras e frases a serem utilizadas- deve ser feito considerando a diversidade cultural da platéia. Neste artigo, trataremos de como apresentar links a usuários com pouco ou nenhuma experiência na manipulação de páginas hipertexto.

Como abrir

Ao especificar um vínculo (link):

  • Se você faz referência a um assunto específico, vincule diretamente à página que trata do assunto relacionado (o que costuma-se chamar "Deep Linking").  
    O que não fazer: "Segundo afirma O Estado de São Paulo (www.estado.com.br) na edição do dia 3 de Janeiro de 2003, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou, em seu discurso de posse, que seu desafio e compromisso é "Libertar as amarras que nos condenam a um crescimento medíocre e a uma desigualdade inaceitável". Este vínculo deixa ao usuário a tarefa de pesquisar o site para encontrar a edição referenciada, e ainda pesquisar seqüencialmente as notícias desse dia até achar (com sorte) a que se refere o parágrafo.
    O que fazer: "Segundo afirma O Estado de São Paulo na edição do dia 3 de Janeiro de 2003 (clique e leia), o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou, em seu discurso de posse, que seu desafio e compromisso é "Libertar as amarras que nos condenam a um crescimento medíocre e a uma desigualdade inaceitável".
    Ou, melhor ainda: "Segundo afirma O Estado de São Paulo na edição do dia 3 de Janeiro de 2003, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou, em seu discurso de posse, que seu desafio e compromisso é"Libertar as amarras que nos condenam a um crescimento medíocre e a uma desigualdade inaceitável" (clique e leia a reportagem completa)"
    Esta última versão é melhor já que não interrompe a leitura, quando esta está ainda incompleta, com um desvio por impulso. Somente ao final, quando todas as informações já foram oferecidas ao internauta, lhe é oferecida ao internauta a possibilidade de conferir maiores detalhes.
  • Faça referência explícita ao site vinculado: "Já estão abertas as inscrições para o próximo Curso de Seleção para Voluntários do Centro de Apoio à Vida (http://www.centrodeapoioavida.kit.net), que será realizado no mês de Junho de 2003." No pior dos casos, caso o internauta desconheça a possibilidade de clicar sobre o link para abri-lo automaticamente, poderá digitar o endereço do site na área respectiva do browser.
  • As referências à páginas internas de um site, devido à sua extensão, devem ser efetuadas preferivelmente implícitas.
    Referência explícita: "Alergia sob controle: você pode evitar que seu filho sofra com a alergia se começar a tratá-lo desde a hora em que ele nasce. Confira em http://www.clicfilhos.com.br/site/display_materia.jsp?titulo=Alergia+%28quase%29+sob+controle
    Referência implícita: " Alergia sob controle: você pode evitar que seu filho sofra com a alergia se começar a tratá-lo desde a hora em que ele nasce. Clique e leia a matéria publicada no site ClicFilhos". 

Onde abrir

Onde abrir o site vinculado? Na janela corrente ou em uma nova janela? A decisão poderia ser deixada para o usuário: clicando o botão direito do mouse sobre o link, o usuário pode decidir abrir a página ou site na própria janela ou em uma nova instância do browser. Entretanto, esta orientação somente é válida quando a platéia é composta de usuários com bastante experiência na utilização do browser. A grande maioria dos usuários leigos não tem a menor idéia dos recursos do navegador. Poucos sabem que a tecla F5 recarrega novamente a página; menos ainda que é possível clicar o botão direito do mouse sobre um link.

Ao decidir onde abrir um link, considere:

a. Se a página a ser aberta é um substitutivo natural da página corrente, abra-a na mesma janela (por exemplo, a segunda tela de um formulário, a próxima página de um e-book, etc.)

b. Se a página a ser aberta complementa parcialmente informações da tela atual, abra-a em uma nova janela, preferivelmente com um tamanho menor que a janela corrente (exemplo) para não perder o contexto.

c. Links a sites externos devem ser preferivelmente abertos em uma uma nova janela. Exemplo: link ao site de um resort no site de uma agência de viagens.


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