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Uma introdução à amigabilidade e à
usabilidade
Jorge Marmion
Os
termos "amigabilidade" e "usabilidade" designam certas
características da interface entre um ser humano (o usuário) e um aparelho
qualquer (telefone, DVD, controle remoto, console de um carro, computador,
câmera fotográfica, caixa eletrônico, etc.).
Estas características, na comunicação de um
sistema qualquer com o usuário, são altamente
desejáveis (diríamos, até, que imprescindíveis):
- O sistema é fácil de aprender a usar
- O sistema é fácil de reaprender (Não há perda substancial do conhecimento do sistema após um breve período de inatividade,
e é fácil lembrar as principais características do sistema após um longo período de inatividade)
- O sistema convida à exploração de suas
facilidades
- O usuário consegue identificar facilmente quais funções do sistema devem ser utilizadas em quaisquer (ou pelo menos
na maioria das) circunstâncias
- A interface do sistema é intuitiva, adaptada ao modelo cognitivo do usuário
("parece familiar")
- O tempo de resposta do sistema adequa-se à
expectativa do usuário
- O sistema minimiza a probabilidade de erro
- O sistema minimiza as conseqüências de um erro,
e possibilita reverter as conseqüências de uma ação errada
- O sistema transmite ao usuário sensação de segurança
O desenvolvimento de um sistema com estas
características não é produto do acaso; é fruto de uma ação planejada,
sistemática, que leve em consideração fundamentalmente as particularidades do
universo de usuários ("User Centered Design") no oferecimento da sua
funcionalidade.
Usabilidade e Amigabilidade Há
uma certa confusão no mercado quanto à utilização deste termos. Certos
autores criticam o uso do último, alegando que a "amigabilidade"
está baseada em características de um tipo especial de relacionamento humano,
a amizade, que não podem ser reproduzidas entre um usuário e uma máquina
(lealdade, etc.). Para esta corrente, somente o termo "usabilidade"
seria correto. Nós acreditamos que há,
sim, uma distinção entre estes termos. Um sistema pode adequar-se a todas as
características de usabilidade, e ser pouco amigável na comunicação com o
usuário. Há, nesta abordagem, a distinção de dois aspectos distintos, porém
complementares, de um sistema: sua facilidade de uso e o diálogo que estabelece
com o usuário. Uma perda de tempo ?
Até o surgimento da Internet e sua posterior
popularização, a operação de computadores e o acesso a sistemas aplicativos
eram privilégios de uns poucos. Todo e qualquer projeto de sistema continha uma
fase - treinamento- na qual os usuários do sistema eram instruídos na
sua operação. Hoje milhões de pessoas,
com diversos graus de cultura, conhecimento e habilidades, tem acesso ao
computador, e a bilhões de sites ou páginas através da World Wide Web. Não
há, geralmente, a possibilidade de treinar o usuário no uso de tal ou qual
transação: ou o usuário consegue o que ele quer, ou procura um outro site
onde possa satisfazer suas necessidades mais facilmente.
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